17 de Novembro de 2010

Retratos

Eu normalmente não fotografo pessoas, ou melhor, eu fotografo mas não são essas as fotografias que me dão gozo.
Não sei o que me aconteceu e dei por mim fascinado por alguns retratos que tirei nas ultimas duas semanas.
 
Primeiro os mais velhos, talvez porque a esperança de vida é baixa e não se vêm muitos velhos, logo estas imagens são pouco frequentes.

Depois as crianças, nas suas brincadeiras.
 
Com a sua alegria contagiante...
 
Com os seus sorrisos tão puros, sem preocupações.


12 de Novembro de 2010

Visita à capital

O passeio desta vez foi a um local do qual, não tinha ainda ouvido falar: Massangano. Pois é, a capital do titulo, não é a por cá chamada cidade capital - Luanda, mas Massangano que foi durante as invasões Holandesas, por volta de 1640 a capital. Hoje Massangano é uma pequena aldeia na margem do rio Kwanza onde estão as bem preservadas ruínas de outros tempos.

Depois de alguma dificuldade em programar o passeio por haver pouca informação sobre como lá chegar, lá decidimos ir. Com a memória numa má experiência no Huambo, que deu para andar a ouvir o resto do pessoal durante 3 meses por não termos encontrado o Morro do Mouco, estava a pensar se nos ia acontecer a mesma coisa.
Depois de muito vasculhar na Internet, descobri nos mapas da Microsoft, a localização exacta. Pois é afinal  ás vezes o melhor mapa não é o do Google que neste caso, nos manda para o Soyo, quando Massangano é próximo do Dondo, enfim uns meros 400Km de diferença.
A estrada até ao Dondo já está quase terminada (está em obras desde que a conheço), mas ainda é arrepiante. Andar numa estrada com duas faixas para cada lado, com separador central onde a qualquer altura podemos dar de frente com alguém em sentido contrário, é assustador. Pois é, os senhores que estão a fazer as obras por vezes desviam um dos sentidos para a faixa do outro lado... até aqui tudo bem, mas o que normalmente acontece é que não colocam nenhum sinal de aviso a quem não mudou de faixa, a avisar que naquela zona existem veículos em sentido contrário é de colocar os cabelos em pé.
Uns quilómetros antes do Dondo, segundo o GPS estaríamos a chegar ao cruzamento para Massangano e surpresa, era mesmo ali o cruzamento e pasme-se: uma placa a indicar a direcção. A placa era pequenina e lia-se mal, mas para quem está habituado a não ter qualquer informação, é um pequeno luxo.
A picada / ex-alcatrão faz-se sem problemas não sendo sequer necessário um jipe. Ao longo da estrada no meio da mata, vêm-se apenas uns pássaros, aqui e ali.
De repente, num ponto mais alto, temos uma vista fantástica de um enorme lago. Infelizmente não é possível mostrar tudo nem mesmo na foto-montagem abaixo, mas a vista é fantástica. Vê-se a pequena aldeia junto ao lago, os barcos dos pescadores, as queimadas ao fundo para preparar os terrenos férteis para a próxima sementeira.  só por esta visão já valia a viagem.
Pouco depois chegamos a Massangano e fiquei agradavelmente surpreendido, ali existem placas com indicação do nome do monumento e o século em que terá sido construído, não me lembro de nenhum outro local em Angola onde tenho visto placas de informação aos visitantes.
Também me agradou o estado de limpeza das ruínas, estamos a falar do forte, da câmara municipal e do tribunal construídos no final do século XVI, esperava que estivessem em muito pior estado e até com lixo e capim no interior. Afinal não se vê nenhum lixo e nota-se que a vegetação tem sido limpa o forte inclusivamente está em bom estado.
Nota negativa apenas para a igreja que está pouco cuidada, com os pássaros a fazerem ninhos no interior e o telhado já em mau estado a anunciar que se nada for feito irá piorar. Estranho é que na igreja se continua a celebrar missa regularmente, uma vez que nos cruzámos com o sr. padre de saída da missa de Domingo, que tinha terminado à pouco e o altar no interior estava decorado e com flores frescas.
Do forte tem-se uma vista privilegiada do rio e com o calor que estava é uma pena que este seja inacessível naquela zona, porque um mergulho vinha mesmo a calhar. Essa dificuldade de acesso terá certamente servido de protecção aos portugueses que ali se refugiaram durante a invasão da grande armada holandesa nos anos 1641 a 1648. Foi a partir de Massangano que durante essa época seria o ultimo refugio e a capital, que se iniciou a resistência e luta pela reconquista do território angolano aos holandeses o que viria a dar frutos em 1645 com a tomada de Luanda por Salvador Correia de Sá.

De volta a casa parámos num mercado que estende as suas cores ao longo da estrada, os montinhos de frutas e legumes produzidos na terra, resguardados debaixo dos guarda-sóis coloridos. Aproveitámos para comprar fruta e legumes a preços decentes, porque na cidade mais cara do mundo alguns dos produtos têm preços de bradar aos céus.

22 de Agosto de 2010

Finalmente a praia dos barcos


Ao fim de alguns anos em Angola, finalmente consegui ir à praia dos barcos. Já sabia da sua existência à bastante tempo e até já tinha tentado sem sucesso ir até lá, hoje finalmente conseguimos. Hoje até não seria o melhor dia para passeios, depois de ter chegado a casa às 5.30, mas como me acordaram ás 9.30 depois do pequenos almoço na Vouzelense lá fomos nós.
A viagem começou mal, com o transito caótico, nas obras intermináveis até ao Cacuaco, ou mais precisamente até ao rio Kifangondo a consumir-nos mais de uma hora. Passada a ponte lá fomos até ao Panguila e dai à praia de S.Tiago ou Santiago que é o verdadeiro nome da praia. O primeiro caminho levou-nos a um complexo turístico abandonado. É claro que mesmo estando o complexo abandonado tivemos de pagar ao guarda para conseguirmos ir até à praia e podermos ver os primeiros barcos. Tenho alguma dificuldade em perceber estes complexos feitos em sítios onde é necessário fazer quase sete quilómetros de picada para chegar a uma praia de água castanha, mas enfim.
A praia dos barcos é assim chamada porque ali estão cerca de 30 barcos abandonados a apodrecer na praia. Alguns têm nomes sugestivos como o Karl Marx e o Cabo Ledo. O Lundoce e os seus inponentes 150 metros, que foi pintado com as cores de Angola, não deixa duvidas sobre as suas origens, todos eles estão a apodrecer nesta praia que parece ser o cemitério dos navios da marinha mercante angolana.

No caminho para a praia atravessa-se uma zona de sapal onde estava um bando de pelicanos. Resolvemos andar um bocadinho fora da estrada, para nos aproximarmos, mais e lá fomos tirar uma fotos aos pelicanos. Apesar de haver quem tivesse muita vontade de os pôr a voar, eles mantiveram-se impávidos e serenos a uma distância segura.
Acabada a visita aos barcos, ainda tivemos tempo de ir até á Barra do Dande comer umas lagostas numa das barracas junto à estrada antes de irmos espreitar o farol e o penhasco de onde se tem uma vista fantástica da baía.
No regresso a Luanda, resolvemos evitar o Cacuaco e viemos pela Autoestrada nova até Viana e dai para Luanda, para preparar mais uma semana de trabalho.